Crônicas do Vale do Jequitinhonha: “folie” e estética

Por: Naldo Moreira*

Foto de Naldo MoreiraConforme prometido, passarei a desenvolver aqui, postando um texto por semana, o exposto na palestra que realizei no último dia vinte e nove de setembro no CAPS Itapeva, intitulada “Saúde Mental e Contexto Social: alguns Exemplos do Jequitinhonha”.

O filósofo e historiador francês Michel Foucault escreveu dois importantes livros cujos temas eu gostaria de aproximar, antes de mais nada, sem contudo me aprofundar nas sutilezas teóricas que os caracterizam: História da Loucura e Vigiar e Punir.

Certas práticas sociais tornam-se tão arraigadas que muitas vezes aparecem a nossos olhos como leis da natureza. Assim, parece muito óbvio à grande maioria de nossos contemporâneos o fato de que os ditos loucos, foras da lei e todo indivíduo que manifeste comportamento anti-social deverá ser excluído do convívio em sociedade através do confinamento, do isolamento, da prisão.

Ora, nem sempre foi assim. Nos dois livros que menciono acima, Foucault realiza uma exaustiva e profunda pesquisa histórica, fartamente documentada, com o intuito de desnaturalizar a idéia do internamento do “louco” e da prisão do “marginal”, demonstrando que trata-se não de uma lei natural e imutável mas de uma construção histórica, lentamente fermentada e pouco a pouco implementada na prática na Europa Ocidental desde a Idade Média, através da era clássica e nos primórdios da modernidade.

Foto do Vale do JequitinhonnhaPode parecer um pouco forçado comparar as regiões rurais da França do século XVI com os sertões brasileiros do século XXI, mas gostaria de me arriscar no aprofundamento da investigação histórica de Foucault e para tanto vou descrever uma cena com que me deparei numa de minhas primeiras viagens ao Jequitinhonha.

Estava andando pelas vielas dos subúrbios de uma daquelas típicas cidades sertanejas do vale, entre moradias de adobe caiadas de barro branco ou Tabatinga, de onde exala a fumaça de fogões a lenha e os dejetos das cozinhas, cheirando a sabão de cinza, correm pelos cantos das ruas, no mesmo lugar em que ciscam as galinhas e chafurdam porquinhos rústicos, em ambiente ainda marcadamente rural, quando me deparo, num terreno amplo, entre duas casas, com um matadouro a céu aberto.

Era uma cena impressionante. Atrás de um muro baixo, onde havia uma entrada aberta, sem portão, debaixo de uma varanda improvisada, num calor infernal, bem pouco propício à higiene, estavam dependuradas as duas metades de um boi que tinham acabado de matar. No chão de cimento grosseiro estavam espalhadas as entranhas do animal e para as bordas escorria um riacho de sangue que tingia todo o solo de vermelho vivo, brilhando ao sol.

Mapa do Vale do JequitinhonhaPara mim, ainda pouco acostumado aos modos caboclos, tudo isto era bastante chocante, mas logo percebi que, para os presentes, tratava-se de uma atividade das mais naturais, pois era possível ver a presença festiva, admirada, das crianças das redondezas que acorreram para apreciar o espetáculo e também por ali rondavam cães sarnentos a espera de um deslize de açougueiros e clientes que se apresentavam no momento propício para disputar os pedaços menos nobres e mais baratos, estando os melhores cortes reservados ao mercado pouco mais refinado do centro da cidade.

Esta imagem demonstra como, no ambiente sertanejo, tudo se encontra muito misturado, sendo ainda incipiente a compartimentação, o exclusivismo, as especialidades e as regras de higienização que caracterizam a vida urbana moderna.

E é nesse ambiente social e produtivo indiferenciado que a figura do “louco” se insere. Não podemos propriamente dizer que, nesse contexto, a loucura seja mais aceita ou melhor assimilada. Acontece que, nesse campo de indiferenciação, tudo acontece diante de todos e cada um encontra muito naturalmente o seu lugar, de tal modo que, em diversos casos, a loucura mesma torna-se um fator importante de produção de riqueza material e de potencialização estética que reverte ao conjunto da sociedade, como veremos pelos exemplos concretos de que estarei tratando, nas próximas semanas.

Foto da queimadinha
– A cachaça queimada com ervas e uma colher de açúcar produzem a
“queimadinha”, é fogo na certa. –

Caso alguém se interesse em aprender a cultivar a terra, degolar uma galinha, beneficiar farinha de mandioca, construir um pote de cerâmica, confeccionar e tocar uma caixa de guerra, cantar, basta observar o que, no dia a dia, está fazendo sua mãe, seu pai, seu vizinho ou outro membro qualquer da comunidade. Claro, num nível de produção muito básico, sem grandes requintes, o mais importante é que os meios de criação estão à disposição de todos.

Histoire de la Folie é o título original do livro de Foucault. A palavra folie, ou seja, loucura, folia, transe coletivo, nos remete à festa da Folia, a respeito de que devo tecer algumas considerações para introduzir a figura magnífica de Joaquim da Miçanga, o tema do post da semana que vem.

Esquematicamente, a Folia é promovida pelo grupo dos foliões: o festeiro, que promove o “giro” da bandeira, seja a dos Reis, do Divino ou de São Sebastião, o procurador, responsável pela guarda do dinheiro e dos bens que vão a leilão e se destinam ao custeio da festa, e o núcleo de cantadores responsáveis pelo louvor ao santo e pelos cantos leigos que animam cada casa. O cortejo vai de casa em casa, pelas roças e pelos povoados, rezando, cantando, comendo, bebendo, até o dia da apoteose, a grande festa final.

Imagem da FoliaAssim, a folia contribui, espalhando, dinamizando o fluxo de sentimentos, para a saúde pública, dependente, vez por outra, de um certo grau de insanidade que, embora permitindo que as regras componham arranjos orgânicos na trilha da pinga, da bandalheira e da gritaria, não instaura a anarquia, como a levar a estrutura aos limites em que ela pode nutrir-se de fontes mais profundas da vida afetiva e criativa.

Lá está o grupo dos anciãos que ainda paira disciplinando a razão soberana da festa, de cunho religioso: comida, cachaça, emoção poética, canto, reza, benção, distribuídos por todos entre todos como uma grande e elaborada brincadeira infantil. Materiais simples, bem trabalhados, mas em processo vivo, poesia à vontade, feita por quem se apresentar, palco aberto, versos se esquecem, mais ou menos, outros se inventam, espírito coletivo vivo vivificado por gênios pessoais muito atados à língua local, o que falam e cantam tem profunda acolhida por toda a gente e essa acolhida no mesmo ato retorna ao artista como estímulo e espírito de criação.

O cenário das roças, da folia original, dá à festa uma dinâmica orgânica, enredada ao seio de cada casa e seus quintais, uns aqui, outros ali, uns jogando verso, outros ouvindo, outros não, outros alheios, proseando, pilheriando, homens se exibindo em seus cavalos, zunindo suas motos, gente partindo, gente chegando.

É uma festa espetacular, justamente na medida em que acontece assim, muito despretensiosamente, entre os presentes, dando a liberdade que essas roças dão para todo tipo de arranjo. Canso de um ambiente, passo a outro, vou a campo, respiro, solitário mas, alhures, encontro um “cumpanheru bão”, bom de conversa, converso, bebo, canto, danço quando quiser ou quando precisarem de mim, de meu ânimo próprio, de meu tipo especial de voz.

Foto de Folião
– O “doidinho” cantador da comunidade de Inácio Félix e seu violão roto de
quatro cordas: o quanto basta para o encantamento da festa. –

Mas a Folia tem um rito e tem seus compromissos, de casa em casa, o festeiro, o procurador e os mais severos foliões vão espalhando o boato e de repente é a hora do canto de louvor e, depois, a de “levantar acampamento”: caixa, bandeira, Deus à frente, para a próximo parada.

A festa navega assim como um barco, de ilha em ilha, a quem “dé pôzu”, um ponto de ordem, instável, no caos dos elementos. Criou-se a ordem, o barco, a folia, a bandeira, a reza, o santo tal. E a ordem sai pelo mundo a instabilizar as casas, as ordens, instabilizando-se ela mesma.

Nada mais maravilhoso que o manifestar do espírito coletivo desses camponeses pobres na Folia. A festa exigiu muita conversa, muito planejamento, andanças para confirmar as casas onde o cortejo vai passar e os pousos onde a bandeira dormirá, onde também o dono da casa dará a janta final da jornada e o almoço da saída do dia seguinte, um mundaréu de comida que as mulheres da casa vão preparar, auxiliadas pelas mais próximas, da família e vizinhança.

E depois começa o “giro”, empresa de muitos dias, que envolve arrecadação de fundos em dinheiro e prendas para leilão e organização da festa final. Esse espírito coletivo na pobreza engendra uma situação democrática agradabilíssima, realidade ordeira, caseira, mas fluida. Cada casa tomada pela turba de foliões dá sombra, frescor, água, vinho, café, farinha com “tuicin”, sofá e, até, cama, a quem se apresentar, seja Servo, pinguço, maltrapilho, sujo, seja Tio Olímpio, o “Ti Limpin”, que quando bebe pára ao pé de cada moça, quer beijar sua mão, puxar um papo. Elas fogem, rindo, ou brincam com ele, afinal se conhecem desde sempre, essas tolices não atrapalham, antes, constituem a Folia.

Foto da FoliaA Folia é naturalmente democrática, a festa é de disciplina espontânea, afinal, não passa pela cabeça de ninguém afastar do “nove”, uma dança ritualizada, crianças pequenas, a não ser que corram risco, tampouco os mais velhos, os mancos, os tolos e os simplórios, sequer os assanhados e os bêbados de toda sorte, a não ser que ofendam alguém, o que não se dá nunca. E se algum se excede, há um alto grau de tolerância, do espírito de “levar na esportiva” ou, de preferência, na galhofa, o importante é, até o limite, não perder o “timing” da alegria que move a folie.

E assim se estabelece uma das máximas da folguedo, sempre repetida, explicitamente, como um slogan, de forma exaltada: “sein purreteru num tein fulia”!!!

Ou seja, sem os loucos, bagunceiros, desviados de toda ordem, não existe o espírito da festa. Claro, sem os “ponta-firmes”, sem os poetas de grande memória, sem os procuradores da ordem e da organização econômica, sem a mulherada da cozinha, forte e “trabaiadera”, ela tampouco ocorreria, mas o fato a ser exaltado é que a Folia não faria nenhum sentido sem os tresloucados, os abobados, os inconvenientes, os excessivos.

Foto do ServoNo link abaixo, vemos Servo, um dos bêbados notórios da Folia, minado por anos a fio de muita pinga, no momento em que arrisca um verso de tremenda organicidade. “Sein purretero, num tein fulia”.

Acesso: <http://www.youtube.com/watch?v=rYNiwF8VlTc&feature=youtu.be>

* Este texto compõe a série de posts elaborados por Naldo Moreira com base no minicurso “Saúde Mental e Contexto Social: Alguns Exemplos do Jequitinhonha”, ministrado no Caps Prof. Luís da Rocha Cerqueira (Caps Itapeva – SP), em 29 de setembro de 2012. Para ler o post inaugural acesse: <https://redeagrega.wordpress.com/2012/10/01/da-loucura-e-da-estetica-do-vale-do-jequitinhonha-para-a-saude-mental-de-sao-paulo/>.

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O desafio de superar a loucura inventada por Pinel

“Nunca a psicologia conseguirá dizer a verdade sobre a loucura,
porque a loucura é que detém a verdade da psicologia”.
(Michel Foucault)

Foto de Philippe PinelLoucura, doença mental e transtorno mental soam naturalmente como sinônimos aos ouvidos de muita gente hoje em dia. Entretanto, evidenciar este fato é apresentar uma verdade parcial. Podemos considerar que a loucura sempre esteve representada e sempre ocupou um lugar especial na sociedade. Entretanto, o louco, entendido como doente mental, é uma construção recente, uma tese criada por volta do século XIX. O fato é que foi a partir de Phillipe Pinel (20/04/1745 – 25/10/1826) que a loucura passou a ser dotada de um estatuto, uma estrutura e um significado psicológicos. Vejamos brevemente como isso se deu.

Durante toda a Idade Média, o saber sobre a loucura não podia ser considerado um conhecimento objetivo, mas compunha um emaranhado de significações sobrenaturais, ou mágico-religiosas. Já em meados do século XVII, surgem diversas instituições asilares e assistenciais desprovidas de qualquer caráter médico em toda a Europa, como la Salpêtrière e Bicêtre, ou os leprosários adaptados São Lázaro e Charenton. A estes depositários de gente são dirigidos todos os tipos de indivíduos considerados “inválidos”: velhos miseráveis, mendigos, desempregados renitentes, portadores de doenças venéreas, prostitutas, libertinos, excomungados, loucos, etc.

Imagem de louco acorrentadoPorém, no espírito de mudança reinante na França revolucionária, Philippe Pinel inaugura, no final do século XVIII, com a sua Nosographie philosophique ou méthode de l’analyse appliquée à la médecine, a psiquiatria moderna. A partir de então, a loucura, os transtornos da mente e as ciências médico-psicológicas nunca mais caminhariam separadas.

Pinel inicia um importante processo de humanização e ordenamento da loucura, dotando-a de um estatuto científico sobre o qual incidia um olhar disciplinar e taxonômico. Deveria haver um lugar específico para a loucura, o louco não poderia mais estar misturado a outras categorias de gente. Este lugar constituiu-se como o hospital psiquiátrico, onde a loucura poderia ser estudada e classificada, tratada e contida.

Neste sentido, podemos entender que a psiquiatria fundada por Pinel foi, ela mesma, estabelecida sob os ares de um movimento de reforma. Esta reforma aconteceu nos hospitais de Bicêtre e Salpêtrière, onde os loucos foram desacorrentados e separados dos demais internos. O trabalho de Pinel, assim, representa o primeiro esforço de apropriação da loucura para o domínio da ciência médica, isolando-a para o estudo de suas manifestações e terapêuticas. Sua nosografia inaugura os esforços modernos de análise das formas da doença mental, assim como das fases de sua evolução e das técnicas terapêuticas possíveis para o seu tratamento.

Foto de Salpêtrière
La Salpêtrière, Paris

Contudo não podemos deixar de lado a observação de que, desde então, pouco foi feito em favor do louco, embora muitos tenham sido os esforços de apropriação do olhar científico sobre a loucura. Ou seja, a loucura tomada como entidade metapsicológica isolou, do olhar médico, a pessoa que sofre de um transtorno mental. O louco, abandonado nos asilos, serviu a uma certa medicina psiquiátrica como laboratório, ou campo de pesquisas, produzindo um conhecimento médico de grande sofisticação técnica sobre um tipo de loucura específica: a loucura asilar.

Quadro de GoyaSe, por um lado, loucura, doença mental e transtorno mental são conceitos que nem sempre estiveram juntos, por outro lado, enfrentamos hoje o desafio de superar os paradigmas da loucura asilar sem jogar fora os avanços técnicos positivos produzidos pela psiquiatria.

Ou ainda, se como disse Foucault é a loucura que detém a verdade da psicologia, então o psicólogo deve ir até o louco para entender a sua verdade, quer dizer, a psicologia deve compreender a loucura na vida, em liberdade, no trabalho. De fato, a verdade do louco não se define pela doença, assim como não se reduz nenhum enfermo à sua enfermidade.

Vivemos um período singular, propício para uma nova mudança, e a Agrega posiciona-se em defesa de um outro olhar e um outro cuidado para com a loucura. É necessária a abertura de um novo campo de convívio para o louco: o emprego formal. Acreditamos que, através da conquista do trabalho e da cidadania seja possível colocarmos uma pá de cal na imagem da loucura improdutiva e tutelada (crença inventada dos manicômios dos séculos passados), abrindo uma nova possibilidade de relação entre a pessoa com transtorno mental e o corpo social, o que favorecerá o surgimento de novos olhares e novas psicologias da loucura e da lucidez humana.

Agregando notícias #4

Automóvel exclusivo para cadeirantes é lançado nos EUA

Imagem do KangarooKangaroo, como é chamado, é a novidade da indústria automobilística norte-americana. Desenvolvido exclusivamente para cadeirantes, o compacto de apenas um lugar é apresentado como solução para superar os inconvenientes da adaptação dos automóveis convencionais para as pessoas com deficiência. Além da adaptação não ser possível para todos os modelos disponíveis no mercado, ainda há um outro inconveniente: o valor do serviço chega a ser quase o mesmo preço de um carro novo.

O Kangaroo facilita o acesso do dono através de uma porta traseira e ainda é ecologicamente correto, pois é movido por um motor totalmente elétrico. Ainda não existe previsão de venda no mercado nacional, mas nos Estados Unidos a unidade custa aproximadamente US$ 25.000,00.

Centro de pesquisas do cérebro e de células-tronco será construído no Rio

O Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde (Sautec) que será construído ao lado do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO), na zona portuária do Rio de Janeiro, será um dos centros mais avançados do mundo e custará cerca de R$ 72 milhões, além dos R$ 2 milhões mensais necessários para o seu funcionamento.

7 teslaO Sautec será o único Centro de Pesquisas do Hemisfério Sul a possuir o 7 tesla, um equipamento de ressonância magnética de última geração que produz imagens do cérebro em atividade a partir de estímulos determinados. Além disso, o Sautec também terá laboratórios para o desenvolvimento de terapias celulares e medicamentos de última geração com a finalidade de diminuir a distância entre a pesquisa acadêmica e a aplicação de seus resultados. A ideia é criar tratamentos para doenças como o Alzheimer, o mal de Parkinson e, até mesmo, criar novas técnicas de desenvolvimento da marcha, que ajudem tanto pacientes com paralisia cerebral a caminharem, quanto investiguem formas de melhorar os resultados de atletas de alto desempenho.

Inclusão social vira superação no cinema

Destacamos Colegas por dois motivos: é um filme protagonizado por três atores com síndrome de Down e, além disso, foi o vencedor do prêmio de melhor longa nacional no Festival de Gramado deste ano.

Em entrevista ao Portal Terra, o diretor Marcelo Galvão conta que se inspirou no tio Márcio, que tinha a síndrome de Down, e ressalta: “Não é um filme pretensioso, é um filme gostoso de assistir, em que você não se dá conta de que são três pessoas com síndrome de Down que estão ali. Dessa forma, ele já se torna um projeto de inclusão”.

Foto Colegas

Como sabemos, a dificuldade em trabalhar com a inclusão da diferença não é uma exclusividade só da Agrega, nem tampouco a felicidade com os seus frutos. Galvão conta que diversas empresas se negaram a patrocinar o seu projeto, pois não queriam associar as suas marcas a uma deficiência. Pior ainda foram as dificuldades que surgiram para o lançamento, depois de ter o seu filme julgado como uma “produção de nicho”. “Quando o público gosta e aplaude em pé, você vê que não é um filme de nicho”, argumenta o diretor.

Para saber mais sobre Colegas: <http://blogcolegasofilme.com/>

Mudanças nas relações trabalhistas

Uma importante discussão sobre as relações trabalhistas tem ocupado a pauta do Governo Federal e do Tribunal Superior do Trabalho (TST). Alguns dos assuntos tratados ainda são polêmicos e estão sendo avaliados, mas em geral a discussão ruma para um ordenamento jurídico mais favorável à inclusão social.

Algumas medidas já foram aprovadas e constam nas súmulas do TST como, por exemplo, o fato de que a partir de agora o funcionário que sofrer um acidente de trabalho passa a ter o direito à estabilidade no emprego, mesmo quando o contrato de trabalho for temporário. Da mesma forma, o TST entende que a demissão sem fundamento de um trabalhador portador de uma doença grave que suscite estigma e/ou preconceito é passível de anulação.

A nova jurisprudência quer levar em conta os avanços econômicos e as inovações tecnológicas para rever a questão do emprego formal. Um dos pontos mais importantes no que diz respeito à salvaguarda que as empresas precisam ter para desenvolverem instrumentos de inclusão de pessoas que, por conta de uma deficiência ou um transtorno mental, não conseguem cumprir a jornada de trabalho integral é o reconhecimento da validade da jornada de 12 horas. São mudanças significativas e que precisam ser implementadas com responsabilidade, por parte do governo, das empresas e dos sindicatos. Vamos continuar acompanhando este processo torcendo para que não tome rumos de retrocesso.

A beleza em Camille Claudel

Lembramos hoje de Camille Claudel (08/12/1864 – 19/10/1943), escultora francesa de uma sensibilidade fora do comum, que produziu obras de incomparável beleza e delicadeza.

Camille teve por mestres Alfred Boucher e Auguste Rodin. Em 1885 ela foi convidada por Rodin para ser colaboradora em seu ateliê e eles trabalharam juntos em diversas esculturas. Pouco tempo depois, Camille e Rodin se apaixonam e vivem uma intensa relação amorosa. Entretanto, a vida de Camille foi abalada por duas circunstâncias. Primeiro, acusam-na de que suas obras seriam, na realidade, feitas por seu mestre e, em segundo lugar, o fato de Rodin não conseguir pôr fim ao seu relacionamento com Rose Beuret também a perturba. Com isso, Camille fica triste e depressiva, e busca se afastar de Rodin.

Magoada e fora de si, Camille passa a nutrir por Rodin sentimentos ambíguos de amor e ódio que acabam se transformando em um estado paranóico e de loucura. A partir de 1905 os períodos paranóicos de Camille pioram. Ela passa a ouvir vozes e ter delírios persecutórios com frequência, piorando a sua condição de saúde, que chega a configurar um quadro completo de esquizofrenia. Em 1913, após a morte do pai, ela entra em uma fase de frustração e agressividade e é internada no manicômio de Ville-Evrard. Posteriormente Camille foi transferida para Villeneuve-lès-Avignon onde fica até o fim de sua vida. Claudel ficou trinta anos internada, passando a maior parte do tempo amarrada e sedada. Foi desta forma que chegou ao fim o período de maior criativdade na vida da artista.

Retrato de Camille ClaudelÉ pela incrível capacidade de produção e poder criativo destas pessoas tão frágeis em sua saúde mental, e contra este tipo de solução restritiva da vida e da liberdade, que a Agrega se posiciona a favor da inclusão social através do trabalho. Acreditamos que este é um modo eficaz de evitar os chamados tratamentos compulsórios em confinamento.

Para saber mais sobre a vida e a obra de Camille Claudel, acesse o filme Camille Claudel (legendas em inglês) no YouTube através dos endereços abaixo:

Filme de 1988, direção de Bruno Nuytten, co-produção de Isabelle Adjani, estrelando Gérard Depardieu e Isabelle Adjani:

1ª parte (1h11min49seg): <http://www.youtube.com/watch?v=iA8pHSr_irY>
2ª parte (1h25min58seg): <http://www.youtube.com/watch?v=nZ1e0KSgXn4&feature=relmfu>

Nise da Silveira chega ao Rio

Prezados amigos,

“Nise da Silveira – Senhora das Imagens” chega ao Rio de Janeiro para curta temporada. Sucesso de público e crítica em São Paulo, o espetáculo conta com a participação de Ferreira Gullar e José Celso e lança mão de recursos multimídia, teatro, música e dança, com coreografias de Ana Botafogo. A narrativa conta alguns dos mais importantes acontecimentos da vida da psiquiatra, como a chegada da alagoana ao Rio de Janeiro, em 1927, seu contato com Carl G. Jung, a amizade com Manuel Bandeira e a prisão e aproximação de Graciliano Ramos. Além disso, a peça tem como grande destaque a consagração internacional das obras criadas por seus pacientes.

Imperdível, vale a pena conferir!

10 de outubro: Dia Mundial da Saúde Mental

Prezados amigos,

Imagem: Dia mundial da Saúde MentalDesde 1992 o dia 10 de outubro celebra o dia internacional da saúde mental. A data é utilizada para divulgar, celebrar e defender os direitos das pessoas que sofrem de algum transtorno ou doença mental. A data é reconhecida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e celebrada em mais de 150 países. Segundo a entidade, mais de 450  milhões de pessoas tem algum tipo de transtorno e menos de 20% deste total tem acesso a algum tipo de tratamento.

Para saber mais, acesse a página da Organização Mundial da Saúde e veja o Atlas de Saúde Mental, lançado em 2011 (em inglês): <http://www.who.int/mental_health/publications/mental_health_atlas_2011/en/index.html>

Evento comemora os 30 anos do curso de Saúde Mental da ENSP

A Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP – Fiocruz), celebrará na próxima quinta-feira, 11 de outubro, os trinta anos do Curso de Especialização em Saúde Mental e Atenção Psicossocial. O evento, que tem a coordenação de Paulo Amarante, será aberto aos interessados.

As atividades começam às 9h30 no salão internacional da ENSP e terão a participação do psiquiatra italiano Ernesto Venturini, ex-colaborador de Franco Basaglia, com a palestra Saúde Mental e Direitos Humanos: o crime louco. Além disso, Venturini também lançará o seu livro O Crime Louco. Ainda estarão presentes o coordenador da Área Técnica de Saúde Mental do Ministério da Saúde, Roberto Tykanori e os ex-coordenadores do curso de Saúde Mental da ENSP Pedro Gabriel Delgado, Marta Zappa e Maurício Lougon.

Imagem: 30 anos do Curso de Especialização em Saúde Mental da ENSP - Fiocruz

Paulo Amarante, que é coordenador do curso desde os anos 1990, nos dá a tônica do que é esperado nas discussões do evento: “Não queremos uma reforma psiquiátrica no sentido do serviço apenas. Temos de mudar a relação que a sociedade tem com as pessoas consideradas com transtorno mental. Esse é o nosso desafio”.

O evento é aberto aos interessados e será transmitido ao vivo através da página da Fiocruz, no endereço: <http://www.ensp.fiocruz.br/portal-ensp/videos/>

Para maiores informações: <http://www.ensp.fiocruz.br/portal-ensp/informe/site/materia/detalhe/31128>