2013 chegou, já trazendo desafios!

*Marta Gil

Pois é, nem bem terminaram os fogos de artifício, brindes, oferendas encarregadas de transmitir nossos sonhos e desejos para o ano novinho em folha e já nos deparamos com desafios, todos de grande monta.

Logo no dia 2, o primeiro número da Revista Veja (ed. 2302, p. 221) trouxe a crônica “O ano das criancinhas mortas” de Lya Luft. A autora, após alertar os leitores que não se sente qualificada para falar sobre o tema que ela mesma escolheu – os terríveis assassinatos de crianças ocorridos nos Estados Unidos – de maneira sucinta construiu o raciocínio de que crimes de tal desumanidade só poderiam ser cometidos por doentes mentais. E fez uma ligação perigosa entre tais crimes e a inclusão escolar de pessoas com deficiência intelectual. Confundiu deficiência com doença. E expressou a opinião de que a inclusão, forçada, gera uma necessidade de adaptação que pode estar acima dos limites das pessoas com deficiência e que pode torná-las infelizes e perigosas(1).

Dia 9, o jornal O Estado de São Paulo publicou notícia sobre decisão judicial que determinava a realização de laqueadura em uma mulher de 27 anos, residente em Amparo, SP, pessoa com deficiência intelectual e que anteriormente tinha expressado o desejo de ser mãe.

No dia 21, lemos que o Tribunal Regional do Trabalho da 2.a Região isentou uma empresa de multa, porque “não pode ser penalizada por não ter preenchido todas as vagas destinadas a deficientes físicos e reabilitados, se esta tentou preencher a cota e não conseguiu, pela precariedade e carência de profissionais reabilitados pela Previdência Social ou com deficiência”.

Estes três acontecimentos podem ser considerados inconstitucionais, pois ferem, respectivamente, os artigos 24 (Educação), 23 (Respeito pelo lar e pela família) e 27 (Trabalho e Emprego) da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, ratificada pelo Congresso Nacional (Decreto Legislativo nº 186/2008), promulgada pelo Presidente da República (Decreto nº 6.949/2009) e incorporada à Constituição Federal.

A reação rápida e decisiva veio de órgãos públicos, movimentos sociais, profissionais e familiares, que uniram forças e vozes. A laqueadura não aconteceu; Lya Luft tentou responder às muitas manifestações de repúdio e indignação (“Todo colunista corre o risco de ser mal interpretado…”) e, por último, está sendo preparado recurso solicitando revisão da isenção de multa para a empresa.

Pode vir, 2013! Estamos prontos!

*Marta Gil – consultora na área da Inclusão de Pessoas com Deficiência, socióloga, Coordenadora Executiva do Amankay Instituto de Estudos e Pesquisas, Fellow da Ashoka Empreendedores Sociais e colaboradora do Planeta Educação.

1. http://www.inclusive.org.br/?p=24039

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I Seminário dos Serviços Residenciais Terapêuticos da Cidade do Rio de Janeiro

A Implementação da Política de Serviços Residenciais Terapêuticos e a Consolidação do Trabalho em Rede

06 de fevereiro de 2013, na UERJ (Auditório 11).
Inscrições no local.
Informações no blog: www.saudementalrj.blogspot.com.br

morro-da-favela-1945 - Tarsila

Programação

8h30: Inscrição
9h às 10h30: Mesa de Abertura
10h30 às 12h: “A interface entre os Serviços Residenciais Terapêuticos e os Centros de Atenção Psicossocial na Cidade” (Eduardo Passos – UFF)

13h30 às 15h30: Rodas de Conversa – “Compartilhando Experiências da Rede de Saúde Mental na Cidade”

I. Acompanhamento no Território – Que cuidado é esse?
II. A Vinculação dos Serviços Residenciais Terapêuticos aos Centros de Atenção Psicossocial como ação Estratégica.

15h30 às 16h30: Apresentação das Discussões
16h30: Encerramento – coffe break

Crônicas do Jequitinhonha: Marcinho

*Por: Naldo Moreira

Foto de Naldo MoreiraTenho escrito, nesta série de textos, as palavras louco ou loucura por diversas vezes entre aspas, o que é um dispositivo um tanto precário, pois as aspas deixam tudo vago, a se explicar. Assim, vou tentar falar do porque do artifício.

Cada um de nós sabe mais ou menos onde estão suas próprias fronteiras entre “sanidade” e “loucura” e apesar de todos os avanços da psicologia, da psiquiatria e da medicina, o diagnóstico de cada paciente, a partir de certos padrões definidos cientificamente, pode ser difícil para os profissionais destas áreas, maioria entre os presentes à palestra do CAPS e, creio, entre os que estão acompanhando este ciclo de publicações que desenvolve os temas ali propostos.Não sou um “profissional da saúde”, lá vão de novo as aspas, mas me parece claro o fato de que alguns casos clínicos são muito complicados. Apenas quem, no Brasil, mergulha dia a dia nesse universo de problemas e potenciais da alma humana está apto a dizer como a atividade entre nós está longe de ser glamurosa: baixa remuneração, estrutura deficitária, avaliações complicadas, tratamentos longos e penosos num ambiente de convivência potencialmente explosivo, em suma, um trabalho duro e arriscado.

Marcinho explica o significado da máscara, em 2003.

Marcinho explica o significado da máscara, em 2003.

Relendo os textos anteriormente publicados, temi que o estilo da crônica pudesse estar pintando um quadro muito romanceado da realidade do louco-artista no contexto das comunidades camponesas do Jequitinhonha.

Marcinho esculpe em 2011.

Marcinho esculpe em 2011.

O sertão, a rotina roceira, de trabalho manual pesado, de sol a sol, de escassos recursos monetários, de dinheiro contado para tudo, com níveis de rusticidade que podem roçar a grosseria, de gente acostumada à dureza e que se tornou, em alguma medida, irascível, impenetrável, tudo isto pode tornar a vida camponesa bastante árdua, quem não sente na pele pode muito bem imaginar.E a vida humana jamais será, em lugar nenhum do tempo e do espaço, uma vida fácil, por mais que o ambiente falso abundante da modernidade possa às vezes iludir certas pessoas a esse respeito.

O caso de Marcinho talvez traga uma luz sobre essa sobrevivência rude e laborativa e o quanto um quadro difícil pode manter-se relativamente estabilizado pelo exercício do inteiro processo artesanal, com seus temperos de vigor físico, referencial simbólico e potência estética.Ao longo de dez anos, devo ter visitado Marcinho pelo menos sete vezes, e em geral fui bem recebido.O que escuto nas casas de outros artesãos da cidade, que o conhecem desde menino, é, contudo, a lenda de que Marcinho passa meses a fio trabalhando, concentrado, praticamente sustentando sozinho uma família numerosa e problemática, e de repente afunda numa espiral decadente que pode durar semanas.Na foto, vemos um dos irmãos de Marcinho. O quanto sofre? Pergunto-me, olhando para ele. O quanto contribuiu e contribui para o sofrimento de Marcinho? Ajuda um pouco aqui, com suas limitações? Exige muito acolá? Às vezes surge à soleira da porta e estaca, duro como um Frankenstein. E fica ali, nos observando, enquanto conversamos, com esse seu carão de silêncio de chumbo, pesado de sombras.Irmão de Marcinho em 2005Alguns relatos, que precisaria confirmar estando presente à cena, contam que muitos consideram Marcinho um feiticeiro, possuído por maus espíritos ou coisa que o valha, tamanha é a capacidade que teria, durante os surtos passageiros, de tomar garrafas inteiras de cachaça pelo gargalo e depois manter-se ainda em pé e barbarizando.

É complicado fiar-se em boatos e peço desculpas de antemão por estar repassando eventuais exageros, comuns nesses casos, mas se o fato não é verdadeiro em relação a esse artista em particular, temos aí um relato verossímil, na medida em que um número grande de pessoas vive sua vida balançando assim, perigosamente, entre ciclos de mergulhos pavorosos e, em seguida, de fertilidade, resgate produtivo.

Arcanjo Gabriel semi-acabado em 2009.

Arcanjo Gabriel semi-acabado em 2009.

Eu, por mim, ao longo dos anos, sempre encontrei o artista relativamente calmo, bem falante, e labutando forte, pois não se combate o jacarandá com pulso fraco e mãos macias.Sei que faz uso de medicamentos psiquiátricos porque ele mesmo conta que precisa de seus “remédios de controle”.No começo o visitava na casinha que alugou para si e para a família em ponto central de Araçuaí, ao lado do cemitério. Ali ele se contentava com um “puxadinho” sujo e abafado para trabalhar e, aos poucos, foi preenchendo as paredes caiadas de branco do quarto com traços de lápis grafite, rabiscos de detalhes, recortes sobrepostos, planos vagos, incompletos, idéias que estaria fecundando e instala fluidamente no muro, espécie de caderno mais a mão, antes de transpor tudo para pinturas em tela ou para esculturas em argila e madeira, sonho às vezes concretizado, no mais das vezes não, traços mais ou menos acabados, fantasmas, em abundância, ensaios de estranhezas.

Alguns desses esboços, por algum motivo, ganham mais força em seu imaginário e ele se põe a materializá-los, também sem a certeza de que vai acabá-los, embora possua técnica refinada, sobretudo na escultura em madeira, em que está sempre a experimentar, com fúria, erros e acertos, colagens, apliques, reformas, recolagens, pronto a mudar de ideia, mesmo na reta final.

Esboços de obras na parede em 2005Marcinho e um ajudante especialmente sagaz que encontrou e com quem andava trabalhando, em janeiro de 2011, estavam havia meses empenhados na elaboração de uma espécie de forca enorme, toda entalhada de relevos barrocos, um grande investimento de tempo e um grande risco comercial, pois quanto maior, mais desengonçada e maluca uma peça, mais dificuldade terá de ser vendida nos altos preços que Marcinho precisa impor, considerando sua arte lenta e refinada

E não seria possível embarcar a forca em avião a partir de Araçuaí, não caberia em carro pequeno, não preencheria todo o frete de um caminhão. O lugar é distante de grandes centros, o comprador ideal pode levar meses ou anos para passar por aqui interessado numa peça como essa.

MDetalhe da forca de 2011as Marcinho queria terminá-la, era uma necessidade maior, interior. Ou o era, pelo menos, no momento daquela visita. Nesse dia, diziam que estavam pensando em produzir, o mais rápido possível, uma pequena fornada de cerâmica, para cumprir com o serviço miúdo e mais rentável que lhes garante o pão de cada dia.

Um ano mais tarde, pergunto ao artista qual foi afinal o destino da grande obra, relacionada à mitologia que o católico mineiro tece em torno da figura do mártir Tiradentes. Disse-me que, depois de minha passagem, precisou desmembrá-la, olha a coincidência, como fizeram com o corpo do líder inconfidente, e vender os pedaços mais em conta, artifício a que se obriga com freqüência, quando o bolso vai ficando vazio e faz-se necessário abrir mão da integridade da arte em favor da mais imediata subsistência.

Materiais sobrepostos no início de uma obra.

Materiais sobrepostos no início de uma obra.

Em janeiro de 2012, Marcinho estava atacando na peça que está na foto ao lado, e tinha chegado ao ponto em que o esboço deveria assumir algum aspecto de acabado. Era um problema, pois na base de diversos tipos de madeira, pedaços de porta, caixotes, tocos secos, ele estava realizando uma série de testes, como se pode ver, recheios que envolviam telas de arame de refugo de construção cimentadas de gesso, um fundente barato se fizer massa com serragem e lascas de madeira que resultam mesmo da atividade. Quem observa a peça assim nas entranhas vai ter dificuldade em ver mas a mente de Marcinho a enxerga prontinha e está trabalhando sobre todas as etapas futuras, até quando sua idéia inicial vai estar completa, perfeitamente concretizada, entalhada em detalhes, lixada, pintada, envernizada e tal, do caos às harmonias celestes.Não é comum encontrar na estatuária rústica em argila do Jequitinhonha o tema religioso, ao contrário de certos locais do Nordeste do país, onde ele predomina, mas Marcinho toma muito emprestado, conforme planos de imaginação muito próprios e inusitados, do simbolismo católico.O mercado impõe aqueles modelos que tiveram sucesso, no início da carreira do artista, embora não possa exigir o modo específico que ele produz cada obra e por isso, por vários anos, encontrei Marcinho entalhando um Arcanjo Gabriel diferente, sempre em madeira dura, bela, de lei. Uma estátua deste tamanho e quilate, com tantos níveis de detalhe, nunca, de fato, repetida, exige meses de dedicação e não pode ser vendida por menos de cinco mil reais. Em geral é feita por encomenda, o que não é garantia de que seja em breve adquirida por alguém pois não é raro acontecer de quem fez o pedido nunca mais dar as caras nessas longitudes.

Outra prova bastante da influência religiosa e da habilidade do mestre está na cópia barroco-sertaneja que estava fazendo em 2009 da Santa Ceia de Da Vinci, como vemos na foto em destaque.

A Santa Ceia em 2009

A Santa Ceia em 2009

Um mendigo se descompôs sobre um prato (servo servido como comida?) e ficou ali, todo retorcido, estendendo a mão e olhando sofrido, pedinte, desde baixo, como cão. Poderia ter feito parte do conjunto de um presépio e ter sido testemunha do nascimento do Deus Menino, mas seu criador se resignou a vendê-lo para mim cru de cores, em separado, assim como está, sozinho e ressignificado, coitado!

São Francisco Buda barroco de 2002

São Francisco Buda barroco de 2002

A marca de Aleijadinho, a força do ideário cristão, alguns traços orientais e eis que surge, em cerâmica, o São Francisco Buda deitado na telha que comprei, em 2002, por oitenta reais e podemos admirar na foto.

Como seus esboços a lápis na parede branca, como seus arranjos improvisados no coração da madeira, o sistema comercial de Marcinho, como se vê, está igualmente semi imerso no caos. De todo modo, ao final, ele segue sobrevivendo. Aprendeu a escultura de Dona Zefa, célebre e generosa artesã, que conhece desde a infância, e dos tantos outros escultores locais. Mais tarde, esteve em Belo Horizonte por uns tempos e na capital aprendeu, em atelier profissional, a reproduzir em madeira o santuário barroco, em troca de trabalhar para os proprietários. Afirma que seu ofício acabou tão perfeito que passava por falsificação. Nesse período, diz ter sido muito explorado em sua arte, o que o levou a voltar para Araçuaí onde os ventos mesmo de sua alma o conduziram a redimensionar, a seu bel prazer, o universo plástico e a técnica fina que foi levado a absorver em BH, senão por satisfação, por necessidade.

Arcanjo quase pronto.

Arcanjo quase pronto.

Na certa, primeiro, de Lira Marques, depois, de outros, Marcinho assimilou também a técnica rústica e a arte da cerâmica dita “decorativa”. Embora poucos artistas da região se igualem a ele no poder de modelagem (talvez João Alves de Taiobeiras e Leonardo de Jequitinhonha), Marcinho não se preocupa em esmerar o acabamento com as tinturas de terra e polimentos que tanto prezam às bonequeiras do vale. Também não parece ter estômago para ficar repetindo indefinidamente seus sucessos de venda, como tendem outros cronistas do barro. Tudo indica que está mais interessado em produzir uma peça expressiva, de tamanho pequeno a médio, dadas as limitações de transporte (diverso do padrão grande e pesado das esculturas de madeira), e partir logo para a seguinte, considerando que, para vender barato, precisa produzir quantidade embora tentando, pois não consegue ser repetitivo e previsível, um mínimo de perda de autoria, no que talvez tenha que descuidar um pouco do acabamento.Eis o que é Marcinho, um artista completo, demasiadamente humano, lutando de forma brava e hábil, entre as tempestades da alma e as corrupções do mercado.

* Este texto compõe a série de posts elaborados por Naldo Moreira com base no minicurso “Saúde Mental e Contexto Social: Alguns Exemplos do Jequitinhonha”, ministrado no Caps Prof. Luís da Rocha Cerqueira (Caps Itapeva – SP), em 29 de setembro de 2012.

Para ler o post inaugural acesse: <https://redeagrega.wordpress.com/2012/10/01/da-loucura-e-da-estetica-do-vale-do-jequitinhonha-para-a-saude-mental-de-sao-paulo/>

Para ler o segundo post, “folie” e estética, acesse: <https://redeagrega.wordpress.com/2012/10/26/cronicas-do-vale-do-jequitinhonha-folie-e-estetica/>

Para ler o terceiro post, Os Juaquis da folia, acesse: <https://redeagrega.wordpress.com/2012/11/11/os-juaquis-da-fulia/>

Para ler o quarto post, Ulisses e Noemisa, acesse: <https://redeagrega.wordpress.com/2012/11/29/cronicas-do-jeqiutinhonha-ulisses-e-noemisa/>

Para ler o quinto post, Lira Marques, acesse: <https://redeagrega.wordpress.com/2012/12/13/cronicas-do-jequitinhonha-lira-marques-2/>

Agregando notícias #7

Vem aí o DSM-5

apaO Manual de Diagnósticos da Associação Americana de Psiquiatria chega a sua quinta versão depois de anos de debates; e promete causar mais debates por muito tempo ainda. Previsto para ser lançado em maio, o DSM-5 (com algarismo arábico mesmo, diferentemente das versões I, II, III e IV), vem sendo desenvolvido desde 1999. Segundo a revista Mente Cérebro, “Ao todo, 13 grupos de trabalho ocupam-se de diversas categorias de doenças psíquicas, como ansiedades, psicoses e dependência de drogas. Os 162 membros dessa equipe são apoiados por mais de 300 outros especialistas do mundo todo.” No entanto pondera que “56%, dos membros do grupo de trabalho receberam dinheiro da indústria farmacêutica” que, só no Brasil, movimenta US$ 28 bilhões por ano.

O DSM tem grande relevância para o entendimento dos transtornos mentais, que para nós é importante, sobretudo, por influenciar a CID (International statistical classification of diseases), organizado pela Organização Mundial de Saúde e válido no Brasil.

Dentre as principais polêmicas envolvendo o DSM-5, destacam se as discussões sobre os novos critérios nosológicos. Segundo os críticos, os novos critérios reforçam a tendência medicalizante da sociedade contemporânea, o que supostamente aumentaria o número de pacientes psiquiátricos.

Novo website de vagas de trabalho para pessoas com deficiências

Lançado recentemente, o site “Vagas Inclusivas” foi criado por uma consultoria especializada em inclusão social de pessoas com deficiência no mercado de trabalho, “o site entra em funcionamento contando com um banco de currículos de 25 mil profissionais com diversos tipos de deficiência (…), mais de 50% destes profissionais possuem ensino superior”, segundo o jornal Folha de S. Paulo.

Para acessar o site Vagas Inclusivas, clique em: <www.vagasinclusivas.com.br/>

Para ler a notícia da Folha de S. Paulo acesse: <http://classificados.folha.uol.com.br/empregos/1195796-site-ajuda-pessoas-com-deficiencia-a-encontrar-vaga-de-trabalho.shtml>

Pornô para cegos

O site Porn for the blind aprenseta descrições em áudio de filmes de sexo. Criado pela há cinco anos por uma ONG com o mesmo nome, a página traz uma lista de filmes narrados com grande riqueza de detalhes. A ideia é alimentar a imaginação do ouvinte.

O acesso é gratuito através do endereço: <www.pornfortheblind.org>

Fonte: Revista Mente Cérebro, Ano XIX, nº 240. <www.mentecerebro.com.br>

Bazares da AACD

76285_300A AACD está promovendo dois bazares permanentes para angariar fundos para a associação, um no Ibirapuera e outro no Lar Escola Samburá. Ano passado a AACD realizou mais de 661 mil atendimentos para pessoas com deficiências físicas.

Fonte: O Estado de S. Paulo, 27 jan. 2013, Caderno 2.

Funcionamento do Bazar: de segunda à quinta, das 09h às 16h
Local: Centro de Reabilitação AACD – Ibirapuera
Endereço: Rua Prof. Ascendino Reis, 724 – Vila Clementino

Google Maps com lugares acessíveis

O blog “Mão na Roda” disponibiliza um excelente trabalho de mapeamento de lugares acessíveis na cidade do Rio de Janeiro. Para ter acesso ao mapa, clique em: <http://maonarodablog.com.br/mapa-de-locais-acessiveis/>

Crônicas do Jequitinhonha: Lira Marques

*Por: Naldo Moreira

Foto de Naldo MoreiraQuando o pesquisador de campo em antropologia está amparado, como eu estou, de conhecimentos limitados em matéria de psicologia e psiquiatria e mesmo que, somados os encontros de mais de uma década que tive com os artistas e artesãos de que tenho tratado nestas páginas, eu tenha tido um acesso, não superficial, mas ainda restrito, aos recantos mais íntimos da vida familiar e pessoal dessa gente, não pode arriscar, por risco de imprecisão, um diagnóstico a respeito de como a dança da doença e da saúde age sobre o corpo e a alma de cada um dos sujeitos que visita, em especial os assim denominados “loucos”.

Foto: Os jovens Lira e Frei Chico, na década de 1970

Os jovens Lira e Frei Chico, na década de 1970

Diante disso, minha maior preocupação na palestra de fins de setembro para que fui convidado, no CAPS Itapeva, basicamente, foi demonstrar o interesse, para a psicologia e para a psiquiatra modernas, da análise antropológica.

Que utilidade haveria para essas ciências da alma (dirigi o questionamento à platéia) estar pensando as importantes diferenças ambientais, laborais e sócio-culturais existentes entre o contexto da civilização artesanal indígena e campesina sertaneja e o contexto da civilização mecânica, urbana e eletrodoméstica em que a maioria, acredito, dos leitores desse texto está mergulhada? O estudo dessas diferenças poderia ser um estímulo para tentarmos entender juntos o fenômeno da inserção social e produtiva do “louco” com foco no aspecto da saúde?

Claro, não estamos operando aqui com a apologia do estilo de vida de índios e camponeses, coletores, caçadores, mineradores primários, artesãos e lavradores, com tudo o que ele implica em termos de rudeza, enfrentamento pesado dos elementos e limitações impostas pela ausência de certos refinamentos que dependem da educação formal, embora procure demonstrar, com os exemplos que estou trazendo, as sutilezas particulares que esse estilo possui.

Quem, por exemplo, uma vez as tendo adquirido, poderia se privar das luzes da indústria cinematográfica ou do instrumento do piano, de lenta evolução tecnológica e, tantas vezes, de produção artística esmerada? E porque, para apreciar tais finesses, temos que abrir mão da transcendência simbólica, da conexão cósmica, do potencial estético, da compreensão ativa da matéria e da fortaleza física em que está implicado o trabalho artesanal de base?

EFoto: Coleção de tinturas de terra mais, estamos observando, nesta sequência de postagens que visam aprofundar os temas da palestra, a seguinte evidência: o acesso universal, no ambiente comunitário sertanejo, a recursos primários de técnica e linguagem artísticas pode levar certos sujeitos a níveis surpreendentemente elevados de expressão pessoal e trabalho criativo, a provar que o solo é, via de regra, fértil o bastante, sendo necessário apenas, claro, primeiro, cultivá-lo e, depois, minimamente, prover a sede e a fome com produção continuada e um máximo possível de retorno econômico.

Nada mais ilustrativo nesse sentido do que o caso de Lira Marques.

Assim como Noemisa, de que falei na semana passada, Lira é herdeira da velha tradição, de origem camponesa européia, ameríndia e africana, das paneleiras do sertão brasileiro, um misto que resultou, de todo modo, numa técnica rústica bem padronizada, disseminada em vasto território, com idênticos métodos, implementos, instrumentos e tipos de utilitários produzidos.

No link do fim do texto podemos ter uma idéia de como uma dessas artesãs de tradição centenária trabalha, assentada no chão de terra batida de sua casa de pau-a-pique.

Porém, diferentemente de Noemisa, de Ulisses e dos Juaquis da Fulia, de quem tratei nas últimas postagens, Lira foi criada, predominantemente, no ambiente urbanizado de Araçuaí.

Certo, esta como as demais cidades que conheço nesses sertões, como a boa parte das pessoas que vivem nelas, ainda estão muito ancoradas em ambiente rural, embora se vejam, a cada ano, mais desarraigadas, em virtude dos ventos da modernidade que avançam, inexoravelmente e sobretudo em seus aspectos mais deletérios, sobre um meio especialmente vulnerável à urbanização desordenada e à cultura individualista, consumista e massificadora que constitui a espinha dorsal do novo sistema.

Em tempos assim tumultuosos e desencantados, figuras da estatura de Lira Marques são verdadeiros botes salva-vidas para os que estão a seu redor e ao nível da comunidade.

Em minha última visita, três anos atrás, estava especialmente empenhada em pôr para funcionar um museu de artefatos antigos da cultura do vale e de obras de artistas regionais diversos.

Foto: Máscara de inspiração africanaIncontáveis são os cursos que já deu, espontâneos ou remunerados, de cerâmica e pintura, para os “seus” e para os “de fora”, conforme a arte econômica do sertanejo pobre de utilizar dos recursos baratos que estão à mão, para lhes agregar valor, com habilidade, se beneficiando do tino comercial desenvolvido no ambiente urbano.

Além disso, Lira, vez por outra, veste a personagem de roupas de chita e trancinhas juvenis com que atua no coral Trovadores do Vale, de que foi uma das fundadoras, faz quase quarenta anos.

Ela e Frei Chico, padre holandês já pra lá de brasileiro, mantêm, há décadas, rica e produtiva amizade, e realizaram uma vasta pesquisa da cultura do Jequitinhonha, sobretudo de seus cantos e danças populares. Adaptando para o palco essas tradições de roça e de rua, os dois vão construindo o repertório do grupo coral, com o que as mantêm vivas do modo possível.

Nas viagens que fazem juntos, estão sempre atentos às cores das terras de cada local por onde passam: grotas esbarrancadas, margens de rio, recortes de máquina à borda de rodovias em construção. Recolhem amostras, levam para casa, a mestra de ofício faz seus testes e, se aprovadas, as dilui em água, dentro de garrafas pet de dois litros que ornamentam, disciplinadas, muretas e estantes da oficina caseira onde trabalha, ao invés de boiar por rios e mares. Foto: Seres de sonhoQuando precisa das tinturas, mistura um pouco à cola Tenaz, fixador barato, e aplica sobre pedronas de quartzo que, por milênios, foram arredondadas e polidas pelas torrentes do Araçuaí. Também as utiliza para desenhar sobre papel Kraft e uma variedade de suportes de baixo custo, compondo as imagens de seres de sonho que navegam nos vendavais de Saturno como as reproduzidas na foto ao lado.

Se tomássemos pelo que vemos na casa de Lira, não acreditaríamos que se trata de pessoa tão engajada em atividades de relação construtiva.

A chegada de visitas, clientes, curiosos e pesquisadores é sempre esperada onde se encontre o artesão de fama, mas o clima da casa de Lira, no mais das vezes, é taciturno, janelas e cortinas semicerradas. Alguém bate palmas, uma irmã, um sobrinho demora a dar as caras na varanda e chega de mansinho, com poucas palavras e sorriso nenhum nos lábios, a demonstrar que ali mora gente cuidadosa e desconfiada.

Nas inúmeras moradias que visito em todo o Jequitinhonha, em geral, quanto mais sou conhecido, mais calorosamente costumo ser recebido, entre esses mineiros de efusão quase baiana. Mas é sempre difícil para mim chegar à porta de Lira Marques.

Suspeito que faça uso de medicamentos psiquiátricos, não sei dizer quais deles e, caso os utilize de fato, não tenho como medir seus efeitos, piores ou melhores.

Lira está hoje na casa dos sessenta, não é muito idosa. Mas quase nunca me reconhece à primeira vista, não importa quantas vezes retorne. De todo modo, sempre, me convida e me conduz até a oficina, nos fundos. Atravessamos toda a casa em silêncio, nos instalamos, longe do centro social, que pertence à família, e só então podemos ter nossa conversa, em particular. Porém, nem sempre permite que ative minha câmera de vídeo para filmá-la enquanto fala, embora goste que eu fotografe as peças expostas e aFoto: Pintura de tons de terra sobre pedra do Araçuaís que foram registradas e dispostas, creio, desde os anos 1970, num álbum que possui. Passamos então à entrega do presente de fotos que fiz na visita anterior, jogo na mesa outras referências de praxe, é como um ritual, devagar ela vai se lembrando de quem se trata e, daí em diante, vai-se fazendo, aos poucos, mais falante e acolhedora.

Muito se discute a respeito das diferenças acaso existentes entre o artista e o artesão. Eu particularmente não as considero diferenças de grau, mas de oportunidade. Como o artesão não pode dar-se o luxo de vender suas peças nos preços elevados que o artista “consagrado” obtém nos mais ricos mercados, vê-se obrigado a reproduzir os temas de sua criação que, nos sucessivos testes de aceitação junto ao comprador, acabam se fixando como os produtos mais rentáveis. É, no mais das vezes, uma questão de sobrevivência, não de competência em matéria de criatividade. Mas é também uma armadilha, na medida em que os modelos “de sucesso” precisam ser tão repetidos que podem agir como entrave a novas experimentações, as quais constituem sempre um risco em termos comerciais.

É o que vejo acontecer com diversos “cronistas do barro” que conheço, como Noemisa de Caraí, João Alves de Taiobeiras, Leonardo da cidade de Jequitinhonha ou Paulo, do distrito de Guaranizinho, que devem se prender à reprodução de seus temas mais famosos se querem se manter e exercitam com parcimônia a inventividade.

Lira, contudo, é um caso especial, considerando que partilha, em certa medida, de fontes de alta cultura, de práticas inovadoras e do acesso a um mercado talvez um pouco mais seleto de objetos de arte.

Foto: eça de cerâmica de apelo comercialAssim, para fazer a renda segura, do dia a dia, ela possui seu rol de peças comerciais, de valor atrativo, como as pinturas de terra sobre o kraft, as máscaras de parentesco africano ou as figuras riscadas em placas de cerâmica, magníficas, como as que estão nas fotos que selecionei.

O diferencial de Lira é que ela faz questão de reservar um certo tempo à criação gratuita e pode ser equiparada a qualquer grande artista assim considerado.

Contou-me que possui também algumas peças autorais que reproduz, mas que as refaz apenas em raras oportunidades, e nunca da mesma forma, menos por necessidade financeira e mais por ânsia de expressão de momentos únicos ou de sentimentos pontuais.

Levei à palestra e passei pelas mãos dos presentes um exemplo deste tipo de obra artístico-artesanal, a que a Lira Marques deu o nome de “Me Ajude a Levantar”.

O título se justifica, ela conta, diante do seguinte fato que lhe ocorreu.

Um dia bateu a sua porta uma nativa da região, demonstrando muito interesse em conhecer sua arte.

Certos sertanejos não possuem o menor polimento e podem ser bastante grosseiros e invasivos.

Na certa, esta pessoa estava esperando encontrar algo semelhante à boneca caprichada que aparece na foto abaixo, da grande mestra Isabel de Santana do Araçuaí, tinta de sutis tons terrosos, que é a marca do dito “artesanato do vale”, tornou-se a menina dos olhos de atravessadores, lojistas e decoradores à caça do lucro fácil e donos de pousada no encalço do bibelô padrão exótico ou constitui um prato cheio para o jornalista genérico, rasteiro e mistificador.

Foto: Boneca de Dona Isabel de Santana do Araçuaí

Lira Marques, todavia, possuía algo bem diverso a oferecer à tal mulher: criaturas de planetas fluidos planando em cristais roliços de riacho, grafismos de sentidos íntimos intraduzíveis, impressos em papel grosseiro, cenas de aborto, pesadelo e desastre, fome, morte, seca e enchente moduladas em barro com muito mais zelo pela simples força da expressão do que pelo mero atrativo ornamental.

Uma dessas peças estão representadas, abaixo, em fotos de fotos que fiz do album de Lira.

Foto: AbortoAo se deparar, porém, com esse rol de estranhezas e má-formações, a visita disparou: “Maiz intão é ess’ cu suju c’a sinhora tein pra mi mostrá?”

Cu sujo, uma expressão local muito rude e ofensiva que designa algo mal acabado ou feito de forma porca, relapsa.

A ofensa foi tão súbita e despropositada e pareceu tão brutal ao coração de Lira que a fez mergulhar num processo depressivo de que levou muito tempo para se recuperar. Ao final, certo dia, uma idéia a iluminou. Não se fez de rogada, tratou de pô-la em execução: buscou o barro na mina, empedrado, trouxe pra casa onde o bateu, forte, no pilão, peneirou, temperou o pó com água, compôs o bolo, daí modelou, poliu e queimou seu primeiro “Me Ajude a Levantar”.

Foto: Um dos primeiros Me Ajude a LevantarO tema retrata, a princípio, uma figura humana deitada de barriga para cima, com os braços junto ao tronco, no momento em que começa a subir a própria cabeça antes de poder aprumar o corpo, ou seja, no começo de seu soerguimento. Lira conta que foi assim, no ato desta criação, que teria começado a superar a depressão.

Alega também que, quando sente a necessidade, retorna ao modelo, mas em tamanho e disposição diversas. Nas fotos, um dos mais antigos, em preto e branco, está posto ao lado de outro, mais recente, que Lira me deu.

Foto: Me Ajude a Levantar que ganhei de presenteSim porque, na terceira ou quarta visita a sua casa, encontrei dentro de um pote uma estatueta pequena que, à primeira vista, me chamou fortemente a atenção. Quando a retirei dentre outras peças, fiquei tão sinceramente admirado, pelo que parece, que Lira me presenteou com a obra, um de seus poucos e assombrosos “Me Ajude a Levantar”.

O ato só fez aumentar meu espanto, já que, sentindo os hábitos reservados daquela artista fabulosa, não podia imaginar que pudesse tão repentinamente responder a minha surpresa e admiração, num movimento típico de quem se deixa levar por forças psíquicas mais essenciais e vitalizantes do que as que governam os interesses materiais de superfície.

Coiz’ di lôcu.

Foto: Lira1
Para acessar o vídeo, clique no endereço: <http://youtu.be/uHJnGF8xRS0>

* Este texto compõe a série de posts elaborados por Naldo Moreira com base no minicurso “Saúde Mental e Contexto Social: Alguns Exemplos do Jequitinhonha”, ministrado no Caps Prof. Luís da Rocha Cerqueira (Caps Itapeva – SP), em 29 de setembro de 2012.

Para ler o post inaugural acesse: <https://redeagrega.wordpress.com/2012/10/01/da-loucura-e-da-estetica-do-vale-do-jequitinhonha-para-a-saude-mental-de-sao-paulo/>

Para ler o segundo post, “folie” e estética, acesse: <https://redeagrega.wordpress.com/2012/10/26/cronicas-do-vale-do-jequitinhonha-folie-e-estetica/>

Para ler o terceiro post, Os Juaquis da folia, acesse: <https://redeagrega.wordpress.com/2012/11/11/os-juaquis-da-fulia/>

Para ler o quarto post, Ulisses e Noemisa, acesse: <https://redeagrega.wordpress.com/2012/11/29/cronicas-do-jeqiutinhonha-ulisses-e-noemisa/>

25 anos da Carta de Bauru

A Carta de Bauru foi um documento redigido durante o II Congresso Nacional dos Trabalhadores em Saúde Mental, realizado entre os dias 3 e 6 de dezembro de 1987, que apresentou os princípios do Movimento Nacional da Luta Antimanicomial. O Congresso adotava o lema “Por uma sociedade sem manicômios!” e foi um marco decisivo para a Reforma Psiquiátrica brasileira.

Imagem: Cartaz Luta AntimanicomialNa ocasião, o evento reuniu 350 trabalhadores da Saúde Mental e, de lá para cá, o movimento cresceu muito. A discussão sobre os direitos de cidadania das pessoas com sofrimento psíquico intenso foi aprofundada e os serviços de tratamento em Saúde Mental passaram, cada vez mais, a funcionar a partir da recusa do papel de agente da exclusão e da violência. As proposições tiradas no Congresso dirigiram a reorganização dos serviços de tratamento e a Carta de Bauru foi um documento central neste processo.

Para a Agrega, a Carta de Bauru é um marco que representa um avanço na luta pelos direitos humanos no Brasil e vai de encontro a tudo o que acreditamos. Ou seja, ao contrário da exclusão e da violência, trabalhamos em prol da cidadania e do cuidado, ao invés da institucionalização e da opressão, os serviços da Agrega propõem uma nova forma de socialização, de liberdade e de autonomia, pois entendemos o valor que tem o trabalhador e queremos que este valor também esteja ao alcance das pessoas com transtornos mentais.

A relação entre o trabalho e a cidadania está presente no entendimento do Movimento da Luta Antimanicomial desde 1987, como pode ser visto na própria Carta de Bauru:

O manicômio é expressão de uma estrutura, presente nos diversos mecanismos de opressão desse tipo de sociedade. A opressão nas fábricas, nas instituições de adolescentes, nos cárceres, a discriminação contra negros, homossexuais, índios, mulheres. Lutar pelos direitos de cidadania dos doentes mentais significa incorporar-se à luta de todos os trabalhadores por seus direitos mínimos à saúde, justiça e melhores condições de vida.”

Para ler a carta de Bauru na íntegra, clique em: Carta de Bauru

Agregando notícias #6

Exposição apresenta obras de irmãos precursores do modernismo brasileiro

Os Dois Irmãos Pré-Modernistas Brasileiros é o nome da exposição que está em cartaz no Museu Afro Brasil, no parque do Ibirapuera, em São Paulo. João e Arthur Timótheo da Costa foram dois artistas negros, cariocas, que rodaram a Europa e uniram tendências estéticas que culminariam no modernismo dos anos 1920.

O trabalho dos irmãos teve grande reconhecimento. Em 1911 foram selecionados pelo Foto: Arthur Timótheo da Costagoverno para ornamentar o Pavilhão do Brasil na Exposição Internacional de Turim, na Itália. Em 1919, Arthur ajudou a fundar a Sociedade Brasileira de Belas Artes na cidade do Rio de Janeiro. Além disso, os irmãos trabalharam na decoração do Salão Nobre do Fluminense Football Club.

Segundo consta, antes de alcançar o ápice de sua carreira, João Timótheo foi acometido pela insanidade e, assim como o seu irmão, passou os últimos anos de sua vida internado no Hospício Nacional de Alienados do Rio de Janeiro.

A exposição funciona de terça a domingo, das 10h às 18h. Entrada grátis.

Messias, psicólogo e escritor conta como voltou a andar depois de ter ficado tetraplégico

Messias Fernandes tinha 14 anos quando fraturou quatro vértebras ao mergulhar em um rio. Ficou tetraplégico, superou as dificuldades e voltou a andar. Hoje é psicólogo e, no último dia 3 lançou o livro Renascendo de um Mergulho, no qual o autor trata das dificuldades na reabilitação e na superação das dificuldades e das sequelas deixadas pelo acidente.

Na matéria de Clarissa Thomé, do Estado de S. Paulo, Messias afirma que, “como psicólogo, tenta mostrar para os médicos que eles não trabalham no terreno da certeza. O discurso precisa ser técnico, mas muitas vezes o paciente não está preparado para ouvir. Alguns médicos, diante da própria impotência, usam esse discurso de que não há mais saída. Ninguém tem o direito de tirar a esperança do outro.”

Vale a pena ler a matéria na íntegra, com mais detalhes sobre a incrível história de Messias: <http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,messias-o-tetraplegico-que-voltou-a-andar-conta-sua-saga-em-livro–,964842,0.htm>

Marcelo Yuka no Caminho das Setas

Foto: Marcelo YukaMarcelo Yuka no Caminho das Setas é o nome do documentário de Daniela Broitman, lançado recentemente, que conta a vida do ex-baterista da banda O Rappa. Yuka foi atingido por três tiros em novembro do ano 2000 e ficou paraplégico, tema que é profundamente discutido no filme que, além disso, fala de trabalho, preconceito e superação.

Para ver o trailer oficial: <http://www.youtube.com/watch?v=uQcvRESAFeI>

Prevenção ainda é a melhor maneira de combater o mal de Alzheimer

Uma caminhada de cerca de 8 kilômetros por dia ajuda a combater o mal de Alzheimer e outros tipos de comprometimento cognitivo, segundo o Dr. Cyrus Raji, pesquisador do Departamento de Radiologia da Universidade de Pittsburgh, na Pensilvânia.

Segundo o Dr. Raji, uma estilo de vida ativo estimula o crescimento do cérebro, “O volume é um sinal vital para o cérebro, quando diminui, significa que as células do cérebro estão morrendo”. A pesquisa demonstrou, ainda, que pessoas ativas mantém uma boa memória por mais tempo.

Leia mais sobre esse assunto em: <http://oglobo.globo.com/saude/um-estilo-de-vida-ativo-pode-desacelerar-mal-de-alzheimer-6811027#ixzz2ECgZqeM9> e em: <http://www2.rsna.org/timssnet/media/pressreleases/pr_target.cfm?ID=508> (inglês).

O mal de Alzheimer atinge mais de 35 milhões de pessoas ao redor do mundo, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Dilma é vaiada e, em seguida, aplaudida

Brazil's President Dilma Rousseff gestures during a news conference after a meeting with Venezuela's President Hugo Chavez at Planalto Palace in Brasilia June 6, 2011. REUTERS/Ueslei MarcelinoA presidente Dilma Rousseff foi vaiada ontem em Brasília, na 3ª Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (que começou no dia 3 e vai até o dia 6 de dezembro), por usar a expressão “portador de deficiência” durante o seu discurso.

Logo em seguida, Dilma pediu desculpas: “Portador não é muito humano, pessoa é, né?”, afirmou. Após a correção, ela foi aplaudida pela platéia.

Antônio Ferreira, secretário nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência, minimizou o ocorrido: “A reação foi por um desejo de correção, foi pedagógica”, disse, completando que “se portasse uma deficiência, a deixaria em casa”.

Fonte: Folha de São Paulo, 5 de dezembro de 2012, Cotidiano C4. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/81993-dilma-e-vaiada-ao-usar-a-expressao-portador-de-deficiencia-em-discurso.shtml> Acesso em 5 dez. 2012.

Para saber mais sobre a 3ª Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, acesse: <http://www.onu.org.br/3a-conferencia-nacional-dos-direitos-da-pessoa-com-deficiencia-em-brasilia-comeca-hoje-3-em-brasilia/>