Agregando notícias #9

Leis serão alteradas para ajuste à Convenção Internacional

Uma boa notícia e um bom precedente. A terminologia de quatro leis pode ser alterada para ajuste à Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, deixando de utilizar o termo “Pessoa Portadora de Deficiência” e adotando “Pessoa com Deficiência.

As leis que serão revistas são as Leis nºs 8.989/95, que regula a isenção de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) na compra de veículos por pessoas com deficiência; a 9.503/97, que institui o Código de Trânsito Brasileiro; a 10.048/00, que confere as prioridades de atendimento; e a Lei nº 10.098/00 que estabelece as normas de acessibilidade para pessoas portadoras (sic) de deficiência.

acessibilidadeEste processo de mudança representa um grande avanço. Como sabemos, a vida e os direitos das pessoas são realmente afetados pela maneira como a lei é redigida. Não se trata de um preciosismo teminológico. É o que vimos no post Quem a Lei de Cotas inclui?, de 31 de maio de 2012, no qual comentávamos o artigo de Ana Maria Machado da Costa.

O que a autora defende em seu artigo é a inclusão das pessoas com transtornos mentais nas cotas para empregos nas empresas, relativas ao Artigo 93 da Lei 8.213/91. Neste sentido, se houvesse, além das mudanças propostas, a adequação do Decreto nº 5.296/04 às novas terminologias propostas pela Convenção Internacional, o Brasil daria um passo pioneiro na inclusão social de pessoas através do trabalho. Isto significaria a adoção, segundo a definição da Convenção, do termo “deficiência intelectual” separadamente do termo “deficiência mental”. Esta distinção permitiria acesso de muitas pessoas com transtornos mentais ao mercado formal de trabalho através da Lei de Cotas, pois segundo este entendimento, as barreiras sociais e atitudinais impostas ao indivíduo também são determinantes da deficiência.

Por enquanto a adequação terminológica não é tão profunda, mas como dissemos a mudança abre um precedente importante que deve ser aprimorada tão logo seja possível.

Para ler o artigo de Ana Maria Machado da Costa, acesse: <http://www.redeagrega.com/#!artigos>

Malas fotografadas mostram os pertences de pacientes psiquiátricos

As malas foram descobertas no Centro Psiquiátrico de Willard, no Estado de Nova Iorque, e perteceram a pessoas que foram internadas entre o início do século XX e a década de 1960.

Willard Asylum Suitcases - 2012 Jon CrispinQuando o Estado fechou o hospital, em 1995, muitas coisas foram descobertas, entre elas as malas que o fotógrafo Jon Crispin está documentando. O resultado do trabalho é a construção de um acervo que já esteve em exibição em alguns museus dos Estados Unidos e que você também pode ver, através do blog do fotógrafo na página: <http://joncrispin.wordpress.com/tag/willard-suitcases/>

Mais informações: <http://www.hypeness.com.br/2013/02/serie-de-fotos-mostra-o-que-pacientes-hospital-psiquiatrico-levavam-na-mala/>

Cidades litorâneas entram na onda da praia com acessibilidade

praiaacessivel3Depois que um projeto em Fernando de Noronha fez sucesso, parece que a moda da acessibilidade nas praias resolveu pegar. Praias do Rio de Janeiro, Bertioga, Guarujá, Mongaguá, Itanhaém e de Santos também adotaram medidas para tornar o lazer nas praias acessível para as pessoas com deficiência. Vamos ficar de olho para ver se os governos manterão o projeto nos próximos verões.

Enquanto isso, a ONG Projeto Caravela desenvolveu, durante o mês de janeiro, um projeto para que pessoas com deficiências participassem de passeios em trilhas subaquáticas na Ilha Anchieta, litoral norte do Estado de São Paulo.

São Paulo amplia isenção de imposto para carros de Pessoas com Deficiências

Os motoristas que dirigem para pessoas com deficiência e pessoas com autismo serão beneficiados com a isenção do pagamento do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços) da venda de carros zero quilômetro no valor de até R$ 70 mil. Até então, a isenção contemplava apenas pessoas com deficiência capazes de dirigir o próprio veículo.

Segundo Cristiano Gomes, diretor de projetos da Laramara, Associação Brasileira de Assistência ao Deficiente Visual, em entrevista ao Diário de S.Paulo, “A mudança é um grande avanço porque principalmente os jovens com deficiência dependiam exclusivamente do transporte público. Com a isenção, a família pode comprar um veículo e esse jovem poderá ir ao cinema ou ao teatro com maior comodidade”.

Até três condutores podem ser indicados para dirigir o veículo, que deve ser registrado no Detran em nome da Pessoa com Deficiência. Para pedir a isenção é preciso ir até uma unidade da Secretaria Estadual da Fazenda e levar o laudo médico que comprova a deficiência ou autismo, além de comprovante de renda compatível com o valor do carro e cópia das habilitações dos condutores.

O lado bom da vida

Silver-Linings-Playbook-27Ago2012_06Diversão, sensibilidade e um monte de personagens complexos fazem de “O lado bom da vida” (Silver Linings Playbook) uma boa opção no cinema. O filme, que está em cartaz, é inteligente e foge dos clichês típicos de Hollywood. A temática dos transtornos mentais permeia a narrativa e é característica marcante na personalidade de Pat Solatano, de seu pai, representado por Robert DeNiro e de Tiffany, entre outros.

A beleza de “O lado bom da vida” está nas relações que são construídas ou recuperadas ao longo do filme, apesar das dificuldades de cada um. A trama articula um bipolar; um viciado em jogos, chamada Ludopatia, com uma espécie de Transtorno Obsessivo Compulsivo para questões supersticiosas; um neurótico a beira de um ataque de nervos, endividado, sufocado, mas que faz questão de manter as aparências; um irmão perverso; um psiquiatra confuso; vizinhos intrometidos e uma ninfomaníaca insistente. Diversão garantida.

Um filme de sutilezas

Silver-Linings-Playbook-06Nov2012_05O filme é concreto e expõe questões complexas de maneira simples, através de cenas que podem passar como corriqueiras ou, até mesmo, triviais. O preconceito e o estigma em relação à loucura, por exemplo, são questões tensas e emocionalmente confusas para Pat e Tiffany. Se por um lado, eles se identificam quando o assunto são as drogas psiquiátricas, por outro lado não sustentam a comparação do grau de suas loucuras. Refletem para si mesmos um tipo de olhar piedoso para com o outro, o mais louquinho. Um olhar que não ajuda em nada, nem para eles, nem para nós, que trabalhamos com inclusão. Como vemos no filme, o resultado deste tipo de atitude não pode ser bom.

Aos olhos do louco o normal era insano, é o que se pode dizer do diálogo de Pat com seu melhor amigo (aparentemente uma pessoa ajustada). Neurótico, como a maioria de nós, queixava-se com Pat da “pressão”, da família, do trabalho, das sucessivas reformas na casa recém-reformada, daquilo tudo da vida cotidiana que o fazia sentir sufocar. Eis que o louco mais estigmatizado do filme lhe responde: “Isso não é bom para você”, o que, precisamos concordar, deve ter sido uma das frases mais sensatas de todo o filme!

O vício do jogo, a vergonha dos remédios, um surto violento, a lei, a mania, o louco que foge do hospício, os medicamentos e um profundo conhecimento dos motivos que as pessoas têm para não querer tomá-los. Todos os elementos da narrativa convergem para o ápice do filme, um momento de superação e engajamento, quando todos os personagens se reúnem para torcer por uma nota mediana. A nota cinco conquistada (como era de se esperar de um filme) e comemorada a ponto de causar estranhamento na plateia e no apresentador do concurso de dança, (com voz de espanto, “Tudo isso O lado bom da vidapor um 5?”) representa muito mais do que um happy end típico de hollywood. Representa, antes de tudo, a conquista de toda a autonomia possível e o reconhecimento das próprias limitações e de novas possibilidades.

É interessante observar como a vida segue e prospera, a despeito de todas as dificuldades. Algumas pessoas podem até esperar que, em algum momento do filme, coisas melhorem e as pessoas voltem ao estado “normal” de saúde mental. Mas, sobre essas questões, não é tão simples, nem na vida real, nem na arte.

Assita o trailer em: <http://www.youtube.com/watch?v=FM3S4GBlwYA>

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Exposição apresenta obras de irmãos precursores do modernismo brasileiro

Os Dois Irmãos Pré-Modernistas Brasileiros é o nome da exposição que está em cartaz no Museu Afro Brasil, no parque do Ibirapuera, em São Paulo. João e Arthur Timótheo da Costa foram dois artistas negros, cariocas, que rodaram a Europa e uniram tendências estéticas que culminariam no modernismo dos anos 1920.

O trabalho dos irmãos teve grande reconhecimento. Em 1911 foram selecionados pelo Foto: Arthur Timótheo da Costagoverno para ornamentar o Pavilhão do Brasil na Exposição Internacional de Turim, na Itália. Em 1919, Arthur ajudou a fundar a Sociedade Brasileira de Belas Artes na cidade do Rio de Janeiro. Além disso, os irmãos trabalharam na decoração do Salão Nobre do Fluminense Football Club.

Segundo consta, antes de alcançar o ápice de sua carreira, João Timótheo foi acometido pela insanidade e, assim como o seu irmão, passou os últimos anos de sua vida internado no Hospício Nacional de Alienados do Rio de Janeiro.

A exposição funciona de terça a domingo, das 10h às 18h. Entrada grátis.

Messias, psicólogo e escritor conta como voltou a andar depois de ter ficado tetraplégico

Messias Fernandes tinha 14 anos quando fraturou quatro vértebras ao mergulhar em um rio. Ficou tetraplégico, superou as dificuldades e voltou a andar. Hoje é psicólogo e, no último dia 3 lançou o livro Renascendo de um Mergulho, no qual o autor trata das dificuldades na reabilitação e na superação das dificuldades e das sequelas deixadas pelo acidente.

Na matéria de Clarissa Thomé, do Estado de S. Paulo, Messias afirma que, “como psicólogo, tenta mostrar para os médicos que eles não trabalham no terreno da certeza. O discurso precisa ser técnico, mas muitas vezes o paciente não está preparado para ouvir. Alguns médicos, diante da própria impotência, usam esse discurso de que não há mais saída. Ninguém tem o direito de tirar a esperança do outro.”

Vale a pena ler a matéria na íntegra, com mais detalhes sobre a incrível história de Messias: <http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,messias-o-tetraplegico-que-voltou-a-andar-conta-sua-saga-em-livro–,964842,0.htm>

Marcelo Yuka no Caminho das Setas

Foto: Marcelo YukaMarcelo Yuka no Caminho das Setas é o nome do documentário de Daniela Broitman, lançado recentemente, que conta a vida do ex-baterista da banda O Rappa. Yuka foi atingido por três tiros em novembro do ano 2000 e ficou paraplégico, tema que é profundamente discutido no filme que, além disso, fala de trabalho, preconceito e superação.

Para ver o trailer oficial: <http://www.youtube.com/watch?v=uQcvRESAFeI>

Prevenção ainda é a melhor maneira de combater o mal de Alzheimer

Uma caminhada de cerca de 8 kilômetros por dia ajuda a combater o mal de Alzheimer e outros tipos de comprometimento cognitivo, segundo o Dr. Cyrus Raji, pesquisador do Departamento de Radiologia da Universidade de Pittsburgh, na Pensilvânia.

Segundo o Dr. Raji, uma estilo de vida ativo estimula o crescimento do cérebro, “O volume é um sinal vital para o cérebro, quando diminui, significa que as células do cérebro estão morrendo”. A pesquisa demonstrou, ainda, que pessoas ativas mantém uma boa memória por mais tempo.

Leia mais sobre esse assunto em: <http://oglobo.globo.com/saude/um-estilo-de-vida-ativo-pode-desacelerar-mal-de-alzheimer-6811027#ixzz2ECgZqeM9> e em: <http://www2.rsna.org/timssnet/media/pressreleases/pr_target.cfm?ID=508> (inglês).

O mal de Alzheimer atinge mais de 35 milhões de pessoas ao redor do mundo, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Dilma é vaiada e, em seguida, aplaudida

Brazil's President Dilma Rousseff gestures during a news conference after a meeting with Venezuela's President Hugo Chavez at Planalto Palace in Brasilia June 6, 2011. REUTERS/Ueslei MarcelinoA presidente Dilma Rousseff foi vaiada ontem em Brasília, na 3ª Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (que começou no dia 3 e vai até o dia 6 de dezembro), por usar a expressão “portador de deficiência” durante o seu discurso.

Logo em seguida, Dilma pediu desculpas: “Portador não é muito humano, pessoa é, né?”, afirmou. Após a correção, ela foi aplaudida pela platéia.

Antônio Ferreira, secretário nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência, minimizou o ocorrido: “A reação foi por um desejo de correção, foi pedagógica”, disse, completando que “se portasse uma deficiência, a deixaria em casa”.

Fonte: Folha de São Paulo, 5 de dezembro de 2012, Cotidiano C4. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/81993-dilma-e-vaiada-ao-usar-a-expressao-portador-de-deficiencia-em-discurso.shtml> Acesso em 5 dez. 2012.

Para saber mais sobre a 3ª Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, acesse: <http://www.onu.org.br/3a-conferencia-nacional-dos-direitos-da-pessoa-com-deficiencia-em-brasilia-comeca-hoje-3-em-brasilia/>

Agregando notícias #5

“Super Normais”, uma tirinha sobre humanidade e acessibilidade


“Super Normais” é uma tirinha que fala sobre questões humanas e está em circulação na internet divulgando temas sobre inclusão, cidadania e respeito aos direitos. Uma vez por mês, um grupo de amigos de Curitiba se reúne para conversar e criar as tirinhas. Segundo o perfil do grupo em uma rede social, as histórias tratam de “Filosofia, inclusão e vicissitudes da vida sob o ponto de vista de três personagens espelhados em pessoas reais, que acham que ter uma deficiência é super normal.”

O desenhista do grupo, Rafael Camargo, que não é deficiente, relata: “O que foi um soco no estômago, na verdade, foi que o que eles estavam mostrando para mim não tinha nada a ver com deficiência. Tinha a ver com respeito, com civilidade, resiliência. Eu falei: nossa isso é muito bom. É muito verdadeiro”.

Para Mirella, uma das integrantes do grupo, “Pessoas com deficiências normalmente são retratadas como super-heróis, pessoas que superaram milhares de desafios, então, são além do normal, ou como coitadinhos, dignos de pena. Então, a gente queria fazer este paralelo (…). Somos pessoas supernormais com histórias, como qualquer outra pessoa”.
Para ver mais tirinhas curta o perfil do grupo no facebook em: <https://www.facebook.com/supernormais>

Cursos do IPUB – UFRJ em especialização em Saúde MentalLogo Ipub

Até 11 de janeiro de 2013 estarão abertas as inscrições para seleção de candidatos para cursos de especialização do IPUB/UFRJ. São sete cursos:

1) Atenção Psicossocial na Infância e Adolescência;
2) Neuropsiquiatria Geriátrica;
3) Assistência a Usuários de Álcool e Drogas;
4) Clínica Psicanalítica;
5) Psiquiatria e Psicanálise com Crianças e Adolescentes;
6) Psicogeriatria
7) Terapia de Família


Seminário Anual de Saúde Mental
Acontece no Rio de Janeiro, nos dias 13 e 14 de dezembro de 2012, nos auditórios Auditórios 111 e 113 da UERJ. Veja a programação:

Dia 13/12
9h – Mesa de abertura (Auditório)
10h – Conferência “A Cidade no Cuidado ao Usuário de Saúde Mental”
13h30 – Gupos temáticos
Ações Territoriais I: Crise e Matriciamento (Auditório 111)
Ações Territoriais II: Desinstitucionalização (Auditório 113)

Dia 14/12
9h – Mesa: Análise da Gestão de Saúde Mental (2009 – 2012) e perspectivas (Auditório 111)
13h30 – Mesa: Diálogos Intersetoriais – Uso de drogas na Infância e Adolescência (Auditório 111)

Federação Brasileira de Hospitais (FBH) perde causa ao tentar censurar livro e filme que retratam a realidade dos hospitais psiquiátricos no Brasil

Uma vitória da luta antimanicomial, foi como o Conselho Federal de Psicologia (CFP) divulgou a nota que anuncia a vitória, em primeira instância, sobre o processo no qual a FBH tentava censurar a divulgação do livro “A Instituição Sinistra – Mortes Violentas em Hospitais Psiquiátricos no Brasil” e o vídeo “Tribunal nos Crimes da Paz, o Hospital Psiquiátrico no Banco dos Réus”.
A ação judicial ressalta que “O livro e o vídeo tratam de uma crítica ao atual sistema brasileiro. Ou seja, trata-se de uma crítica construtiva que não visa ofender uma instituição psiquiátrica ou um profissional específico”.
Segundo divulgado na página do CFP, o Presidente do CFP, Humberto Verona, lembrou que a decisão favorável é também uma vitória importante que anima os defensores dos direitos humanos, pois há uma tentativa de alguns setores de criminalizar aqueles que defendem as violações de direitos humanos nesse país.

Debates em torno do DSM-5 no Rio de Janeiro


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Surfista brasileiro cego ganha telas de cinema

Derek Rabelo, um jovem capixaba de 20 anos já dividiu com Kelly Slater, Gabriel Medina e Mick Fanning e se tornou protagonista do documentário “Além da Visão”, que está sendo filmado por Bruno Lemos e Luiz Werneck.

Em entrevista ao Globo Esporte, Derek contou: “Eu sempre morei perto da praia, minha família toda surfava. Chegou um momento da minha vida que eu quis surfar, quando tinha 17 anos. Eu sabia que a galera estava indo surfar e ficava na vontade. No início, foi meio complicado, estressante. Eu tentava surfar todo dia, o treinador ficava sempre à disposição. A galera me dava muita força, incentivava. E eu consegui!”
Depois de aprender a surfar, Derek quis conhecer o Havaí para tentar surfar a Pipeline, conhecida por ser uma das maiores e mais perigosas ondas do mundo. “Pipeline foi a bênção de Deus na minha vida, fiquei “amarradão” em fazer isso. Foi uma situação muito diferente, água quentinha, altas manobras. O pessoal do Havaí me deu muita força, gostaram da minha história e deram paz para que eu pudesse surfar a Pipeline. Foi um momento muito maneiro também – explica Derek, que precisa da ajuda de outro surfista para orientá-lo, gritar e empurrá-lo na hora exata de entrar na onda.”

O documentário ainda não tem data para estrear, mas você pode conferir outras histórias de Derek lendo a matéria do Globo Esporte na íntegra em: <http://globoesporte.globo.com/radicais/surfe/noticia/2012/09/cego-brasileiro-destroi-limites-surfa-em-pipeline-e-ganha-telas-de-cinema.html>

Evento em São Paulo discute as interfaces entre a Saúde Mental e a Justiça

Cartaz

Do tropicalismo à cajuína: uma homenagem a Torquato Neto

“Só quero saber
Do que pode dar certo
Não tenho tempo a perder”
(estrofe do poema Go back, de Torquato Neto)

Torquato Pereira de Araújo Neto (9/11/1944 – 10/11/1972) foi um poeta, jornalista e compositor, que esteve envolvido com a Tropicália, o Cinema Novo e o movimento concretista.

Foto de Torquato NetoTorquato escreveu o breviário “Tropicalismo para principiantes” onde defendia a ideia de uma música pop genuinamente brasileira. Como letrista, ele compôs em parceria com Gilberto Gil, Caetano Veloso, Jards Macalé, Nonato Buzar, Edu Lobo, entre outros grandes de nossa música.

Também participou de alguns filmes na década de setenta e produziu o seu próprio filme como diretor e ator, o “Terror da Vermelha”, no qual Edmar Oliveira também trabalhou como ator e Arnaldo Albuquerque fez a câmera. Também como ator, Torquato atuou no filme “Adão e Eva”, uma produção de António Noronha, com direção de Carlos Galvão, roteiro de Edmar Oliveira e, mais uma vez, câmera de Arnaldo Albuquerque. Além disso, Torquato foi assistente do filme “Barravento”, de Glauber Rocha.

No final da década de sessenta, com o exílio dos amigos Caetano e Gil, Torquato foi morar em Londres com a esposa Ana Maria. Voltou ao Brasil no início dos anos setenta, mas se isolou do mundo e das pessoas, sentindo-se perseguido e tolhido pela “patrulha ideológica”. Passou por uma série de internações para tratar do alcoolismo e rompeu diversas amizades.

Foto de Torquato NetoEm 1973 Waly Sailormoon organizou um livro com textos e poemas de Torquato, chamado “Torquato Neto, – os últimos dias de paupéria”. Nele, existe um capítulo intitulado “D’Engenho de Dentro” onde estão reunidos textos que Torquato escreveu durante o período em que esteve internado no Centro Psiquiátrico Pedro II (CPPII – atual Instituto Municipal Nise da Silveira), situado naquele bairro. Nestes trechos ele revela um pouco da profundidade e dos matizes de seu sofrimento.

“Dia 07/10 – um recorte no meu bolso, escrito ontem cedo, ainda em casa: ‘quando uma pessoa se decide a morrer, decide, necessariamente, assumir a responsabilidade de ser cruel: menos consigo mesmo, é claro. É difícil, pra não ficar teorizando feito um idiota, explicar tudo. É chato, e isso é que é mais duro: ser nojento com as pessoas a quem se quer mais bem no mundo’. O recorte acaba aí. Hoje, agora, estou fazendo tempo enquanto os remédios que tomei fazem efeito e vou dormir. Esse sanatório é diferente dos outros por onde andei – talvez seja o melhor de todos, o único que talvez possa me dar condições de não procurar mais o fim da minha vida”

Dia 7/4/71 – “Foi um caminhão que passou. Bateu na minha cabeça. Aqui. Isso aqui é péssimo, não me lembro de nada. // Eles não deixam ninguém ficar em paz aqui dentro. São bestas. Não deixam a gente cortar a carne com faca mas dão gilete pra se fazer barba. // Pode me dar um cigarro? Eu só tenho um maço, eu tenho que pedir porque senão acaba. Pode me dar as vinte.”

Um dia após seu aniversário de 28 anos, em 1972 na cidade do Rio de Janeiro, Torquato Neto cometeu suicídio. Depois de uma festa, trancou-se no banheiro e abriu o gás.

Em homenagem ao poeta, Caetano Veloso compôs a música “Cajuína”, como pode ser visto no vídeo que está acessível em <http://www.youtube.com/watch?v=S5NxSwkwx-o>. Na ocasião, Caetano estava em Teresina e foi visitar o pai de Torquato, que lhe serviu uma cajuína e depois lhe presenteou com uma rosa menina do seu jardim.

Hoje , no Rio de Janeiro, está em funcionamento o Centro de Atenção Psicosocial Caps Torquato Neto, situado no Cachambi.

Foto de Torquato, Caetano Capinan
Torquato Neto, Caetano Veloso e José Carlos Capinam.

Cogito
(Torquato Neto – 20/10/1970)

Eu sou como eu sou
Pronome
Pessoal intransferível
Do homem que iniciei
Na medida do impossível

Eu sou como eu sou
Agora
Sem grandes segredos dantes
Sem novos secretos dentes
Nesta hora

Eu sou como eu sou
Presente
Desferrolhado indecente
Feito um pedaço de mim

Eu sou como eu sou
Vidente
E vivo tranquilamente
Todas as horas do fim

Para saber mais sobre a obra de Torquato Neto, visite a página oficial clicando no endereço: <http://www.torquatoneto.com.br/>

Referências:
Torquato Neto – os últimos dias de paupéria. Organizado por Waly Sailormoon. Rio, 1973. Livraria Eldorado Tijuca.

O desafio de superar a loucura inventada por Pinel

“Nunca a psicologia conseguirá dizer a verdade sobre a loucura,
porque a loucura é que detém a verdade da psicologia”.
(Michel Foucault)

Foto de Philippe PinelLoucura, doença mental e transtorno mental soam naturalmente como sinônimos aos ouvidos de muita gente hoje em dia. Entretanto, evidenciar este fato é apresentar uma verdade parcial. Podemos considerar que a loucura sempre esteve representada e sempre ocupou um lugar especial na sociedade. Entretanto, o louco, entendido como doente mental, é uma construção recente, uma tese criada por volta do século XIX. O fato é que foi a partir de Phillipe Pinel (20/04/1745 – 25/10/1826) que a loucura passou a ser dotada de um estatuto, uma estrutura e um significado psicológicos. Vejamos brevemente como isso se deu.

Durante toda a Idade Média, o saber sobre a loucura não podia ser considerado um conhecimento objetivo, mas compunha um emaranhado de significações sobrenaturais, ou mágico-religiosas. Já em meados do século XVII, surgem diversas instituições asilares e assistenciais desprovidas de qualquer caráter médico em toda a Europa, como la Salpêtrière e Bicêtre, ou os leprosários adaptados São Lázaro e Charenton. A estes depositários de gente são dirigidos todos os tipos de indivíduos considerados “inválidos”: velhos miseráveis, mendigos, desempregados renitentes, portadores de doenças venéreas, prostitutas, libertinos, excomungados, loucos, etc.

Imagem de louco acorrentadoPorém, no espírito de mudança reinante na França revolucionária, Philippe Pinel inaugura, no final do século XVIII, com a sua Nosographie philosophique ou méthode de l’analyse appliquée à la médecine, a psiquiatria moderna. A partir de então, a loucura, os transtornos da mente e as ciências médico-psicológicas nunca mais caminhariam separadas.

Pinel inicia um importante processo de humanização e ordenamento da loucura, dotando-a de um estatuto científico sobre o qual incidia um olhar disciplinar e taxonômico. Deveria haver um lugar específico para a loucura, o louco não poderia mais estar misturado a outras categorias de gente. Este lugar constituiu-se como o hospital psiquiátrico, onde a loucura poderia ser estudada e classificada, tratada e contida.

Neste sentido, podemos entender que a psiquiatria fundada por Pinel foi, ela mesma, estabelecida sob os ares de um movimento de reforma. Esta reforma aconteceu nos hospitais de Bicêtre e Salpêtrière, onde os loucos foram desacorrentados e separados dos demais internos. O trabalho de Pinel, assim, representa o primeiro esforço de apropriação da loucura para o domínio da ciência médica, isolando-a para o estudo de suas manifestações e terapêuticas. Sua nosografia inaugura os esforços modernos de análise das formas da doença mental, assim como das fases de sua evolução e das técnicas terapêuticas possíveis para o seu tratamento.

Foto de Salpêtrière
La Salpêtrière, Paris

Contudo não podemos deixar de lado a observação de que, desde então, pouco foi feito em favor do louco, embora muitos tenham sido os esforços de apropriação do olhar científico sobre a loucura. Ou seja, a loucura tomada como entidade metapsicológica isolou, do olhar médico, a pessoa que sofre de um transtorno mental. O louco, abandonado nos asilos, serviu a uma certa medicina psiquiátrica como laboratório, ou campo de pesquisas, produzindo um conhecimento médico de grande sofisticação técnica sobre um tipo de loucura específica: a loucura asilar.

Quadro de GoyaSe, por um lado, loucura, doença mental e transtorno mental são conceitos que nem sempre estiveram juntos, por outro lado, enfrentamos hoje o desafio de superar os paradigmas da loucura asilar sem jogar fora os avanços técnicos positivos produzidos pela psiquiatria.

Ou ainda, se como disse Foucault é a loucura que detém a verdade da psicologia, então o psicólogo deve ir até o louco para entender a sua verdade, quer dizer, a psicologia deve compreender a loucura na vida, em liberdade, no trabalho. De fato, a verdade do louco não se define pela doença, assim como não se reduz nenhum enfermo à sua enfermidade.

Vivemos um período singular, propício para uma nova mudança, e a Agrega posiciona-se em defesa de um outro olhar e um outro cuidado para com a loucura. É necessária a abertura de um novo campo de convívio para o louco: o emprego formal. Acreditamos que, através da conquista do trabalho e da cidadania seja possível colocarmos uma pá de cal na imagem da loucura improdutiva e tutelada (crença inventada dos manicômios dos séculos passados), abrindo uma nova possibilidade de relação entre a pessoa com transtorno mental e o corpo social, o que favorecerá o surgimento de novos olhares e novas psicologias da loucura e da lucidez humana.

A beleza em Camille Claudel

Lembramos hoje de Camille Claudel (08/12/1864 – 19/10/1943), escultora francesa de uma sensibilidade fora do comum, que produziu obras de incomparável beleza e delicadeza.

Camille teve por mestres Alfred Boucher e Auguste Rodin. Em 1885 ela foi convidada por Rodin para ser colaboradora em seu ateliê e eles trabalharam juntos em diversas esculturas. Pouco tempo depois, Camille e Rodin se apaixonam e vivem uma intensa relação amorosa. Entretanto, a vida de Camille foi abalada por duas circunstâncias. Primeiro, acusam-na de que suas obras seriam, na realidade, feitas por seu mestre e, em segundo lugar, o fato de Rodin não conseguir pôr fim ao seu relacionamento com Rose Beuret também a perturba. Com isso, Camille fica triste e depressiva, e busca se afastar de Rodin.

Magoada e fora de si, Camille passa a nutrir por Rodin sentimentos ambíguos de amor e ódio que acabam se transformando em um estado paranóico e de loucura. A partir de 1905 os períodos paranóicos de Camille pioram. Ela passa a ouvir vozes e ter delírios persecutórios com frequência, piorando a sua condição de saúde, que chega a configurar um quadro completo de esquizofrenia. Em 1913, após a morte do pai, ela entra em uma fase de frustração e agressividade e é internada no manicômio de Ville-Evrard. Posteriormente Camille foi transferida para Villeneuve-lès-Avignon onde fica até o fim de sua vida. Claudel ficou trinta anos internada, passando a maior parte do tempo amarrada e sedada. Foi desta forma que chegou ao fim o período de maior criativdade na vida da artista.

Retrato de Camille ClaudelÉ pela incrível capacidade de produção e poder criativo destas pessoas tão frágeis em sua saúde mental, e contra este tipo de solução restritiva da vida e da liberdade, que a Agrega se posiciona a favor da inclusão social através do trabalho. Acreditamos que este é um modo eficaz de evitar os chamados tratamentos compulsórios em confinamento.

Para saber mais sobre a vida e a obra de Camille Claudel, acesse o filme Camille Claudel (legendas em inglês) no YouTube através dos endereços abaixo:

Filme de 1988, direção de Bruno Nuytten, co-produção de Isabelle Adjani, estrelando Gérard Depardieu e Isabelle Adjani:

1ª parte (1h11min49seg): <http://www.youtube.com/watch?v=iA8pHSr_irY>
2ª parte (1h25min58seg): <http://www.youtube.com/watch?v=nZ1e0KSgXn4&feature=relmfu>